A raridade dos canhotos também pode ser uma vantagem
Além das diferenças na forma como o cérebro processa as informações, cientistas acreditam que ser canhoto pode representar uma vantagem evolutiva.
Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Chieti-Pescara, na Itália, buscou explicar por que os canhotos representam aproximadamente 10% da população mundial há milhares de anos, mantendo essa proporção praticamente inalterada ao longo da história.
A explicação proposta é que essa minoria acaba levando vantagem em determinadas situações de competição.
Como a maioria das pessoas é destra, os movimentos, estratégias e reações dos canhotos tendem a ser menos previsíveis, especialmente em esportes, disputas e confrontos diretos.
Os pesquisadores também observaram que pessoas com maior tendência a usar a mão esquerda costumam demonstrar mais disposição para enfrentar desafios competitivos e perseguir objetivos.
Curiosamente, essa vantagem não parece estar relacionada à destreza manual, mas sim a características comportamentais e cognitivas.
Segundo os autores, essa combinação pode ter contribuído para que os canhotos continuassem presentes na população ao longo da evolução humana.
Estudos apontam maior facilidade para o pensamento criativo
Diversas pesquisas vêm analisando a relação entre lateralidade e criatividade.
Um estudo publicado na revista Perceptual and Motor Skills, por exemplo, comparou o desempenho de 96 canhotos e 96 destros em testes voltados para a geração de ideias e resolução de problemas.
Os resultados indicaram que os participantes canhotos, especialmente as mulheres, apresentaram melhor desempenho em atividades que exigiam pensamento criativo.
Eles demonstraram maior facilidade para imaginar soluções originais, estabelecer conexões pouco óbvias e propor respostas inovadoras para um mesmo desafio.
Isso, porém, não significa que todo canhoto seja automaticamente mais criativo ou possua talentos artísticos extraordinários.
Os pesquisadores destacam que a principal diferença está na chamada capacidade de pensamento divergente — a habilidade de explorar diversas alternativas antes de chegar a uma resposta, em vez de seguir apenas um caminho lógico e previsível.
Crescer em um mundo pensado para destros também faz diferença
Além da forma como o cérebro funciona, o ambiente pode contribuir para o desenvolvimento dessas habilidades.
Grande parte dos objetos utilizados diariamente foi projetada para pessoas destras.
Tesouras, carteiras escolares, abridores de lata, utensílios domésticos e até determinados equipamentos eletrônicos costumam ser mais confortáveis para quem usa a mão direita.
Desde cedo, os canhotos precisam encontrar maneiras de contornar essas dificuldades.
Em muitos casos, aprendem a adaptar movimentos, modificar técnicas e descobrir alternativas para executar tarefas simples.
Segundo a psicóloga clínica Katina Bajaj, essa necessidade constante de adaptação funciona como um treinamento diário para o cérebro.





